Querida Giih
Acabou de ler seu blog, especificadamente esse post intitulado Racismo? (http://view-from-afternoon.blogspot.com.br/2012/09/racismo.html?spref=tw),
o que me levou a escrever essa carta, já que o que você aborda é exatamente o assunto
que eu queria tratar: frases (e no caso do seu post: imagens) descontextualizadas.
Como já sabe minha mãe me dá carona para ir à
faculdade todos os dias, porém numa semana em que ela esteva fora da cidade,
tive que me aventurar no transporte público e acabei me divertindo com essas “descontextualizações”
toda.
1ª Conversa
(um casal aparentando ter 14 anos estava numa conversa animada...):
Ele: Você toma leite?
Ela: Tomo de manhã!
Ele: E como você gosta de tomar? Frio, quente,
morno, com chocolate, com café, no copo, na xícara?
Ela:...explicou
todas as maneiras e ocasiões que ela tomava o leite... Meu ônibus chegou.
2ª Conversa (um par de amigos aparentando 13 anos e
um deles com o celular na mão):
Ele para o celular:
Vai lá em casa, não vai ter ninguém hoje.
(?) Ela:
aparentemente aceitou o convite.
Ele olhando para o
garoto, mas ainda conversando com a menina (?): Então você vai?
E assim continuou a conversa afetada, ambos, os garotos,
tentando levar a garota a ter uma conversa com apelo sexual pelo telefone e
ambos do meu lado no ônibus lotado.
3ª Conversa
(quatro crianças, duas meninas e dois meninos, aparentando aproximadamente 11
anos com exceção de um que parecia um pouco mais novo talvez 9 anos, conversavam
animados no ônibus quando as duas meninas desceram em um ponto.).
Garoto mais velho: (uma
tirada que não chegou aos meus ouvidos)
Garoto mais novo: Nossa! (uma cara de surpreso pela frase do
amigo)
Garoto mais velho:
Não foi você que me deu uma tirada na
frente da Ingrid?
Garoto mais novo:
O quê?
Garoto mais velho: Você deu uma tirada em mim na frente da
Ingrid?
Garoto mais novo: Di! ( Aparentemente do verbo dar)
Outras duas conversas me chamaram a atenção, porém não
ocorreram dentro do ônibus.
1ª Conversa
(Bienal do livro, num estande onde vendia livros. Três garotas aparentando 14
anos e com o uniforme da escola olhando os livros.).
Garota 1: Esse tá 10 reais.
Garota 2: Não vou comprar livro, eu não vou ler!
Garota 3: Vamos lá ( apontam para outro estande), tem álbum dos Rebeldes!
Garota 2: Queria um manual de maquiagem, sabe?!
2ª
Conversa (Na fila para entrar numa balada de Araraquara, que só deveria entrar pessoas
acima de 18 anos)
Garota 1: Pra tirar a carta (de motorista) tem que ter o terceiro ano completo?
Garota 2: Acho que não.
Garota 1: Parece que sim, tem que ter 18 anos e o
terceiro ano completo. Não sei pra que!
E foi assim que eu fiquei, às vezes rindo por dentro, às
vezes inconformada e às vezes triste com os trechos. Mas é claro que eu não
ouvi a conversa toda e talvez eu tenha perdido a parte interessante e até inteligente
de cada pessoa citada.
E agora eu digo minha pequena amiga, quantas pessoas já
ouviram frases minhas descontextualizadas e me jugaram, exatamente como fiz mentalmente
quando ouvi essas conversas citadas?
Vou tentar me controlar com esses julgamentos, mas confesso
que a vida alheia me inspira e por isso que presto atenção nessas conversas!
Beijos, J.
Querida J.,
ResponderExcluirÉ estranho como coincidências acontecem. Na verdade, existem milhares de teorias sobre elas existirem ou não, mas não entrarei no mérito da questão. Eu, particularmente, acredito nelas. Não que sejam pontos fixos na nossa linha de existência, mas acredito que elas existam de uma forma fluída, de uma maneira cósmica que nós seres humanos ainda não podemos explicar.
Talvez você não me conheça... talvez me conheça um pouco, meio que de relance. Eu também não conhecia muito de você até encontrar o seu blog "Cartas". Logo de início, peço desculpas pela "invasão", mas para alguém que gosta de escrever e ler é um pouco difícil não se perder em um blog tão interessante. Talvez você não receba essa carta, mas vou continuar escrevendo mesmo assim. Acredito, sinceramente, pelas datas da última postagem, que você deveria ter continuado a mandar suas cartas.
O anonimato é uma coisa chata, mas deveras interessante. Confesso que não gosto dessas coisas de "anônimos", pois sou um curioso nato. Das poucas vezes que surgem "anônimos" em meu blog, roou as unhas de curiosidade e queimo mil neurônios na tentativa de descobrir. No fundo, apesar de me afundar em um poço de curiosidade, me aquieto, afinal... como posso saber? O mistério no fundo encanta, alimenta a "graça" do desconhecido, tinge de tons enigmáticos essa enfadonha vida cotidiana.
Confesso que o me encantou nessa história toda foi a questão das cartas. Pobre delas... tão esquecidas... num mundo tão hi-tec, nessa era instantânea dos 140 caracteres, as pessoas não se dão mais ao trabalho de escrever umas para as outras. Uma carta significa que num determinado momento alguém parou para discorrer sobre os seus sentimentos, expor os seus pensamentos, dividir o seu mundo com um outro alguém. Apesar de ser "frio papel" ou "frio papel digital", uma carta contém muito mais do aparentemente se pode supor.
Apesar de pertencer a área das humanidades, me fascino muito por outras áreas como a química, a física, a astrologia, a religião, entre tantas outras. Certa vez, vi que num futuro distante a Via Láctea se fundirá com a galáxia de Andromeda, dois universos, um acontecimento único. Devido suas particularidades, o impacto não será danoso, longe disso, caso estejamos aqui em uma nova vida para assistir, especialistas apontam que será um dos fenômenos mais bonitos já vistos.
Penso que com as pessoas seja a mesma coisa, acredito que elas são como universos únicos... claro, nem sempre quando os universos se chocam temos "um dos fenômenos mais bonitos já vistos"... existe muita gente desagradável, muita coisa ruim mundo afora... mas acredito que quando temos amizades e amores verdadeiros, talvez caiamos na primeira hipótese. Enfim...
Peço desculpas por tudo isso. Começo a escrever e me empolgo com as palavras e com as ideias. Tenho uma imaginação fértil para essas coisas e vez ou outra começo a formular teorias desde a criação do mundo ao fim do mesmo. Também peço desculpas se em algum momento te pareci arrogante ou algo semelhante... realmente não foi minha intenção. Talvez pessoalmente eu não pareça tão simpático... mas não sou tão chato quanto parece. De toda forma, novamente, peço desculpas.
Espero que as coisas atualmente estejam bem. Como suas cartas terminam em setembro de 2012, espero que 2013 tenha sido um bom ano e esse 2014 que logo termina também. Aparentemente parece... mas só nós sabemos de nossas lutas, não? Por fim, espero que não me ache louco. Realmente não sou. Tenho apreço pela leitura... e como você confessou, a vida alheia também me inspira. Muita sorte J..
Beijos,
A.
P.S.: peço desculpas por postar na área de comentários... :)
Oi J.
ResponderExcluirDesculpa, mas preferi manter o anonimato, acredite, tenho meus motivos e será melhor assim, tanto pra você como pra mim.
Sei que você provavelmente nem lerá esse comentário, pois faz anos que deixou de escrever no blog, porém não tem como negar que fiquei com aquela curiosidade de saber como anda sua vida agora. Se um dia voltar a escrever aqui, nos conte, o que aconteceu nos anos que se seguiram, e o namoro a distância como vai? Ainda vai? Rs. A faculdade de letras, já terminou? Está trabalhando? Conta pra nós. Espero um dia voltar a fazer uma visita ao seu blog e encontrar mais cartas suas.
Bjs