Carta a um amigo
Oi amigo, como tem passado? As coisas que lhe escreverei hoje são sinceras e de momentos em que colocaram em dúbio à vontade de te ter como amigo, mas vou logo ao assunto antes que você se chateie e pare de ler minhas cartas.
Com as provas do vestibular chegando o stress começou a chegar e tudo te irritava, sua atitude me assustava muito, tudo que eu falava era motivo de discussão, porém eu comecei a perceber que a revolta era passageira, depois de algumas horas você vinha me pedir desculpa, e eu tentava entender aquela bronca toda comigo e ao mesmo tempo o arrependimento logo em seguida. Nunca alguém mudava de opinião tão rápido, mas havia uma boa desculpa: O VESTIBULAR.
Ignorei essas suas atitudes, na verdade ignoro até hoje (que fique claro).
Conversamos muito durante os últimos três meses do ano de 2009, ouvi muitas coisas que não me agradaram e fui ofendida sem dar motivos. Mas em compensação não me lembro o mês exato sei que você me convidou pra conversar por microfone, eu nunca tinha conversado com ninguém por microfone, na verdade nem sabia que era possível (não amigo, não ria da minha ignorância) lembro-me como se fosse ontem que o microfone não estava no meu computador, e sim no do meu irmão, e quando lhe disse isso, você veio ironizando meu comentário, isso me deixou mordida, eu estava falando a verdade, fui logo ao quarto do meu irmão e peguei o microfone, até precisei de uma ajuda para colocar no computador. Enfim acabamos conversando horas e horas. E cada dia que passava eu me apegava mais a você.
Despeço-me com um trecho do livro “O Pequeno Príncipe”:
“- Vem brincar comigo, propôs o príncipe, estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa.
Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- O que quer dizer cativar?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa.
Significa criar laços...
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos.
E eu não tenho necessidade de ti.
E tu não tens necessidade de mim.
Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo...
[...]
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres uma amiga, cativa-me!
Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa.
Mas tu não a deves esquecer.
Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”
Beijos, J.