segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Giih Guimarães


Querida Giih
Acabou de ler seu blog, especificadamente esse post intitulado Racismo? (http://view-from-afternoon.blogspot.com.br/2012/09/racismo.html?spref=tw), o que me levou a escrever essa carta, já que o que você aborda é exatamente o assunto que eu queria tratar: frases (e no caso do seu post: imagens) descontextualizadas.
 Como já sabe minha mãe me dá carona para ir à faculdade todos os dias, porém numa semana em que ela esteva fora da cidade, tive que me aventurar no transporte público e acabei me divertindo com essas “descontextualizações” toda.

1ª Conversa (um casal aparentando ter 14 anos estava numa conversa animada...):
Ele: Você toma leite?
Ela: Tomo de manhã!
Ele: E como você gosta de tomar? Frio, quente, morno, com chocolate, com café, no copo, na xícara?
Ela:...explicou todas as maneiras e ocasiões que ela tomava o leite... Meu ônibus chegou.


2ª Conversa (um par de amigos aparentando 13 anos e um deles com o celular na mão):
Ele para o celular: Vai lá em casa, não vai ter ninguém hoje.
(?) Ela: aparentemente aceitou o convite.
Ele olhando para o garoto, mas ainda conversando com a menina (?): Então você vai?
E assim continuou a conversa afetada, ambos, os garotos, tentando levar a garota a ter uma conversa com apelo sexual pelo telefone e ambos do meu lado no ônibus lotado.


3ª Conversa (quatro crianças, duas meninas e dois meninos, aparentando aproximadamente 11 anos com exceção de um que parecia um pouco mais novo talvez 9 anos, conversavam animados no ônibus quando as duas meninas desceram em um ponto.).
Garoto mais velho: (uma tirada que não chegou aos meus ouvidos)
Garoto mais novo: Nossa! (uma cara de surpreso pela frase do amigo)
Garoto mais velho: Não foi você que me deu uma tirada na frente da Ingrid?
Garoto mais novo: O quê?
Garoto mais velho: Você deu uma tirada em mim na frente da Ingrid?
Garoto mais novo: Di! ( Aparentemente do verbo dar)

Outras duas conversas me chamaram a atenção, porém não ocorreram dentro do ônibus.

1ª Conversa (Bienal do livro, num estande onde vendia livros. Três garotas aparentando 14 anos e com o uniforme da escola olhando os livros.).
Garota 1: Esse tá 10 reais.
Garota 2: Não vou comprar livro, eu não vou ler!
Garota 3: Vamos lá ( apontam para outro estande), tem álbum dos Rebeldes!
Garota 2: Queria um manual de maquiagem, sabe?!


2ª Conversa (Na fila para entrar numa balada de Araraquara, que só deveria entrar pessoas acima de 18 anos)
Garota 1: Pra tirar a carta (de motorista) tem que ter o terceiro ano completo?
Garota 2: Acho que não.
Garota 1: Parece que sim, tem que ter 18 anos e o terceiro ano completo. Não sei pra que!


E foi assim que eu fiquei, às vezes rindo por dentro, às vezes inconformada e às vezes triste com os trechos. Mas é claro que eu não ouvi a conversa toda e talvez eu tenha perdido a parte interessante e até inteligente de cada pessoa citada.
E agora eu digo minha pequena amiga, quantas pessoas já ouviram frases minhas descontextualizadas e me jugaram, exatamente como fiz mentalmente quando ouvi essas conversas citadas?
Vou tentar me controlar com esses julgamentos, mas confesso que a vida alheia me inspira e por isso que presto atenção nessas conversas!

Beijos, J.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

2012

Dois mil e onze vai ficar pra sempre na minha memória, com certeza um ano inesquecível de realizações pessoais incríveis. Minha vida deu uma guinada que eu demorei pra acreditar que era a minha mesmo.
O começo conturbado ainda estudando muito pros vestibulares, ansiosa pelos resultados,  os dias demoravam anos para passar e isso me perturbava, não sei o que faria se não conseguisse passar em nada de novo. Surgiu então a oportunidade do curso de moda e parecia tudo que eu precisava. Dias depois resultados positivos pra duas das três faculdades que ainda esperava, e isso era tudo o que sonhava finalmente poder fazer uma coisa por vontade própria.
Em março já estava matriculada nos dois cursos e um pouco preocupada com o modo de vida que ia começar a levar. Mas tudo estava maravilhosamente indo muito bem, conhecer Meu Amigo das primeiras cartas, foi algo surpreendente, já havia feito isso outras vezes, mas nunca fui tão longe pra conhecer alguém virtual, e tudo parecia surreal  e o ano passava incrivelmente rápido nas raras vezes em que nos encontramos.
E os meses iam passando muito bem, com faculdade, curso técnico, romance, novos e velhos amigos. Conquistei muitas coisas nesse ano que terminou, e confesso que não percebi o valor disso tudo quando ainda estava ganhando, mas acho que isso sempre acontece não é? As coisas que nós conquistamos sempre tomam um significado e uma importância maior depois que o tempo passa.
Mas por mais que o ano tenha sido maravilhoso, algo me perturbou muito e ainda não sei muito bem o que era ou o que é, já que não sei se terminou. Vivi momentos difíceis emocionalmente e descobri que consigo ser mais fechada do que o normal quando estou triste, se isso é bom ou ruim eu não sei, só sei que me bloqueio facilmente.
O ano terminou muito bem com uma viagem para praia, há anos não ia ver o mar e isso me libertou de uma magoa tão grande que gostaria de nunca mais voltar pra casa. Sentar na areia e absorver tudo o que ar e o sol trazem é incrível. As pessoas são felizes na praia, nos tornamos sociáveis e amigáveis, conhecemos pessoas de todas as partes e acabamos até encontrando pessoas do nosso convívio diário.
Dois mil e onze terminou assim, com um gostinho de realizações e sonhos maiores, e dois mil e doze esse recém-nascido já teve boas influências do ano que terminou. Espero que essas energias positivas que tomam conta de mim nesse momento continuem e que coisas boas venham sempre em grupo e que as ruins tragam aprendizado.
Bem Vindo 2012
Beijos, J